Não sabíamos como lá chegar. Nem sequer sabíamos que especialidades tratam destes problemas. Nem sequer sabíamos que havia consultas especializadas para problemas de fertilidade. E o que tenho a dizer sobre esta ignorância assumida: é que éramos, sem dúvida, muito mais felizes até então. Desconhecer, era, portanto, sinal de não precisar. E fomos felizes até esse momento.
As referências eram nulas. E estava fora de questão lançar uma mensagem no Facebook a pedir conselhos e recomendações sobre especialistas em infertilidade em Lisboa. Era por demais humilhante. Se fosse um cancro, gerava-se uma corrente solidária à volta. Estes problemas? Credo! Antes sofrer em silêncio que dizer ao mundo que tenho um problema de saúde que me vai afetar para sempre.
As propostas são várias. O amigo Google foi mais ou menos generoso. Revelando consenso entre alguns profissionais recomendados pelos Blogues de Mamãs e afins. Ginecologistas; obstetras... clínicas de infertilidade, Procriação Médica Assistida, FIV, ICSIS, inseminação artificial, causas e problemas para engravidar... procurámos de tudo. E o Google ia respondendo.
Completamente ao acaso demos de caras com a recomendação da Dra. Ana Paula Maia. Dava consultas nos Lusíadas. É em Lisboa. É especialista "nestas coisas". A consulta é acessível e está dentro de um hospital privado, vamos ver o que dá.
Sobre os médicos e as clínicas que vou abordar, vou procurar ser o mais objetivo possível, sem tolher a minha perspetiva com a frustração do insucesso dos tratamentos que realizámos em cada uma. Não é fácil, mas há coisas evidentes e que dizem respeito a uma experiência concreta. Alerto para que a minha (nossa) experiência seja suscetível de ser criticada e encontre divergências de quem encontrou outros exemplos.
A consulta nos Lusíadas:
O serviço não tinha assim muito tempo (2014). Percebia-se que ainda estavam a ajustar algumas coisas. Ainda nem faziam tratamentos com esperma de dador. Ainda não havia consenso ou pelo menos ainda não estavam a operacionalizar com esta prática médica. Lembro-me que demorámos horas sem qualquer explicação. Foi longa a espera. Mas tudo era mais importante. Aguardávamos. Isto repetiu-se vezes sem conta enquanto permanecemos nos Lusíadas. Como percebem, desistimos a meio, claro.
A Dra. Ana Paula Maia foi, desde sempre, uma médica atenciosa e esclarecedora. Pragmática. Explicava (quase) tudo. E deixava fazer perguntas e respondia. Era clara. Objetiva nas coisas. E transmitia esperança. Mas seguia protocolos errados, na nossa opinião. O protocolo era sempre o mesmo e isso não podemos deixar de criticar: primeiro despistam-se problemas na mulher; depois despistam-se problemas no homem. Sempre à vez e a meias contas.
Sim, a meias contas: quando era já altura, em cada consulta mandava-se fazer uma coisa de cada vez. Lembramo-nos que a famosa análise à hormona/"cena" que diz qual a reserva ovárica foi das últimas coisas a fazer. E falamos em meses depois de já andar nas consultas. E sim, esse é um dos problemas da Flor. Que poderia ter feito diferença de cerca de um ano se esse diagnóstico tivesse sido logo feito. Mas não. Arrastaram, arrastaram, arrastaram... Adiava decisões. Lembro-me de quando decidimos avançar com esperma de dador. Não poderia ter sido feito nos Lusíadas, sugeriu-nos uma clínica privada. Mas depois, se bem sucedido, poderíamos voltar aos Lusíadas... entretanto as coisas mudaram! Fizemos 3 consultas e sempre a decisão fora adiada. Fomos de férias, voltámos e nada. Até que mudámos de clínica, por sua recomendação.
Mas este protocolo de ir tratando das coisas uma de cada vez, pode teoricamente fazer-lhes sentido. Para nós, ainda hoje pensamos como poderia ter sido diferente se tivéssemos poupado 1 ano, sim 1 ano, enquanto andámos a ser arrastados com o processo neste hospital. Agora deve estar diferente. Ou pelo menos assim cremos, nunca mais voltámos.
Mas na altura, a sala de espera não tinha qualquer reserva. Os funcionários ouviam-se a falar de detalhes de cada casal em qualquer parte da sala. No pós-operatório não há (havia) privacidade na sala de recobro. Ouvimos tudo dos casais que estavam ao nosso lado. As consultas atrasavam imenso. E imenso, é imenso. Faltas ao trabalho: e mais ansiedade. Resolver assunto de trabalho na sala de espera: e mais ansiedade. Cruzar pessoas conhecidas: e mais ansiedade. Os olhares dos homens e das mulheres que se cruzavam... cada olhar tinha uma interrogação: qual será o problema deste? Havia medo. Um silêncio frio de quem sabe que partilha uma dor e uma vergonha de o assumir. Ai se pudesse falar com todos aqueles casais...
Nunca chegámos a ver em detalhe o preçário dos tratamentos por aqui. Sei que paguei mais de 600 euros pela biópsia testicular e mais não sei quanto por uma análise qualquer. As consultas eram pela ADSE ou Multicare, o que é uma grande vantagem. Mas ao longo do tempo o dinheiro é algo que vamos relativizando em busca de resultados... até ao dia em que caímos na realidade dos valores destes tratamentos. Uma verdadeira caça ao negócio que, incompreensivelmente, o Estado não apoia. Caprichos, dizem eles.
O próximo caminho seguiu para a clínica CEMEARE. Ali em Entrecampos.
E nunca pensámos que nestas coisas, o essencial, por vezes, é simplesmente não nos fazerem sentir mais um número. Mais um negócio. Mais um casal. Só queríamos atenção, explicação, sem que fossemos simplesmente mais uns!
As referências eram nulas. E estava fora de questão lançar uma mensagem no Facebook a pedir conselhos e recomendações sobre especialistas em infertilidade em Lisboa. Era por demais humilhante. Se fosse um cancro, gerava-se uma corrente solidária à volta. Estes problemas? Credo! Antes sofrer em silêncio que dizer ao mundo que tenho um problema de saúde que me vai afetar para sempre.
As propostas são várias. O amigo Google foi mais ou menos generoso. Revelando consenso entre alguns profissionais recomendados pelos Blogues de Mamãs e afins. Ginecologistas; obstetras... clínicas de infertilidade, Procriação Médica Assistida, FIV, ICSIS, inseminação artificial, causas e problemas para engravidar... procurámos de tudo. E o Google ia respondendo.
Completamente ao acaso demos de caras com a recomendação da Dra. Ana Paula Maia. Dava consultas nos Lusíadas. É em Lisboa. É especialista "nestas coisas". A consulta é acessível e está dentro de um hospital privado, vamos ver o que dá.
Sobre os médicos e as clínicas que vou abordar, vou procurar ser o mais objetivo possível, sem tolher a minha perspetiva com a frustração do insucesso dos tratamentos que realizámos em cada uma. Não é fácil, mas há coisas evidentes e que dizem respeito a uma experiência concreta. Alerto para que a minha (nossa) experiência seja suscetível de ser criticada e encontre divergências de quem encontrou outros exemplos.
A consulta nos Lusíadas:
O serviço não tinha assim muito tempo (2014). Percebia-se que ainda estavam a ajustar algumas coisas. Ainda nem faziam tratamentos com esperma de dador. Ainda não havia consenso ou pelo menos ainda não estavam a operacionalizar com esta prática médica. Lembro-me que demorámos horas sem qualquer explicação. Foi longa a espera. Mas tudo era mais importante. Aguardávamos. Isto repetiu-se vezes sem conta enquanto permanecemos nos Lusíadas. Como percebem, desistimos a meio, claro.
A Dra. Ana Paula Maia foi, desde sempre, uma médica atenciosa e esclarecedora. Pragmática. Explicava (quase) tudo. E deixava fazer perguntas e respondia. Era clara. Objetiva nas coisas. E transmitia esperança. Mas seguia protocolos errados, na nossa opinião. O protocolo era sempre o mesmo e isso não podemos deixar de criticar: primeiro despistam-se problemas na mulher; depois despistam-se problemas no homem. Sempre à vez e a meias contas.
Sim, a meias contas: quando era já altura, em cada consulta mandava-se fazer uma coisa de cada vez. Lembramo-nos que a famosa análise à hormona/"cena" que diz qual a reserva ovárica foi das últimas coisas a fazer. E falamos em meses depois de já andar nas consultas. E sim, esse é um dos problemas da Flor. Que poderia ter feito diferença de cerca de um ano se esse diagnóstico tivesse sido logo feito. Mas não. Arrastaram, arrastaram, arrastaram... Adiava decisões. Lembro-me de quando decidimos avançar com esperma de dador. Não poderia ter sido feito nos Lusíadas, sugeriu-nos uma clínica privada. Mas depois, se bem sucedido, poderíamos voltar aos Lusíadas... entretanto as coisas mudaram! Fizemos 3 consultas e sempre a decisão fora adiada. Fomos de férias, voltámos e nada. Até que mudámos de clínica, por sua recomendação.
Mas este protocolo de ir tratando das coisas uma de cada vez, pode teoricamente fazer-lhes sentido. Para nós, ainda hoje pensamos como poderia ter sido diferente se tivéssemos poupado 1 ano, sim 1 ano, enquanto andámos a ser arrastados com o processo neste hospital. Agora deve estar diferente. Ou pelo menos assim cremos, nunca mais voltámos.
Mas na altura, a sala de espera não tinha qualquer reserva. Os funcionários ouviam-se a falar de detalhes de cada casal em qualquer parte da sala. No pós-operatório não há (havia) privacidade na sala de recobro. Ouvimos tudo dos casais que estavam ao nosso lado. As consultas atrasavam imenso. E imenso, é imenso. Faltas ao trabalho: e mais ansiedade. Resolver assunto de trabalho na sala de espera: e mais ansiedade. Cruzar pessoas conhecidas: e mais ansiedade. Os olhares dos homens e das mulheres que se cruzavam... cada olhar tinha uma interrogação: qual será o problema deste? Havia medo. Um silêncio frio de quem sabe que partilha uma dor e uma vergonha de o assumir. Ai se pudesse falar com todos aqueles casais...
Nunca chegámos a ver em detalhe o preçário dos tratamentos por aqui. Sei que paguei mais de 600 euros pela biópsia testicular e mais não sei quanto por uma análise qualquer. As consultas eram pela ADSE ou Multicare, o que é uma grande vantagem. Mas ao longo do tempo o dinheiro é algo que vamos relativizando em busca de resultados... até ao dia em que caímos na realidade dos valores destes tratamentos. Uma verdadeira caça ao negócio que, incompreensivelmente, o Estado não apoia. Caprichos, dizem eles.
O próximo caminho seguiu para a clínica CEMEARE. Ali em Entrecampos.
E nunca pensámos que nestas coisas, o essencial, por vezes, é simplesmente não nos fazerem sentir mais um número. Mais um negócio. Mais um casal. Só queríamos atenção, explicação, sem que fossemos simplesmente mais uns!

boa tarde,
ResponderEliminarseria possível fornecer-me algum contacto da Dr, Ana Paula Maia ?
Sou estudante finalista no curso de Biologia e quero seguir a área de embriologia e gostava de realizar um estágio na área.
Ana Reis