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Perguntei ao Google "o que é azoospermia"

Perguntei desesperadamente. E ele deu-me tantas respostas, quanto dúvidas. Foi o primeiro impacto com a desinformação. O que tem de bom, nestes casos de saúde pode ter de mau. cada caso é um caso e nada melhor que ir a correr ao médico saber do seu!

Percebi, resumidamente, que azoospermia designa medicamente o problema de não serem detectados quaisquer espermatozóides no sémen. E pronto. É isto que precisas de saber. Já as causas podem ser diversas e com este diagnóstico não precisa de ser o fim! Ainda há esperança.

Simplificando: ou tens algum problema nos canais que levam os espermatozóides do testículo à ejaculação; ou tem um problema que, no caso concreto, designam por síndrome ou "células de Sertoli". E, para agilizar, a primeira situação tem tratamento, a segunda não! 

A minha teria que ser a segunda.



Mas antes de lá chegar, sou enviado para a consulta de Andrologia. Nem sabia. Levei umas análises hormonais que praticamente fazem o diagnóstico acima. Cenário 1 ou cenário 2... os valores indicam-nos, embora os médicos queiram sempre fazer uma biópsia para certificar. E assim foi.

Rocha Mendes. Foi este o médico indicado. Mas logo falaremos dele.
Viu as análises ali numa clínica em Entrecampos. Jamais desconfiei que por cima ficaria a 1.ª clínica de fertilidade em Lisboa a que eu e a Flor recorremos. O mundo é pequeno, sempre se disse. Também dá consultas nos Lusíadas, mas a consulta demora. Paguei em particular para ir lá no dia a seguir. E assim foi. Viu os resultados e escreveu à mão uma carta à médica que nos acompanhava, Dra. Ana Paula Maia, para realizar a biópsia e saber qual dos cenários falávamos.

O dia da biópsia chegou relativamente rápido. Um balúrdio: e o primeiro choque com os custos destes tratamentos. Mas nessa altura nem pensamos nisso. Ainda há esperança.

Furaram-me o testículo direito. Esperei. Ao lado estava outro homem. Descontraído, relaxado e feliz. Apenas dizia que tinha fome. Era um casal perfeito. Mas ali estava. Sem problemas. Eu nervoso, pessimista. E com razão. Desta vez, ouço a médica aproximar-se no compartimento ao lado: parabéns, os resultados são positivos. Vestiu-se e foi. Percebi que havia duas notícias: uma boa e uma má. a Boa estava dada, a má sobrou para mim.

Praticamente fugi. Vesti-me à pressa. A Flor correu atrás de mim. Não deveria ter feito. Ainda tinha anestesia. Mas corri. Fui pagar. Sim, é uma dimensão sempre presente: pagar. Estava atordoado. Mas o mundo acabou ali. Não me doía nada. Porque não sentia nada. Não sei que vazio era aquele. Mas era grande. Doloroso, mas sem dor. Ninguém diria que tinha estado anestesiado. Contive-me.

Em casa, caí no sofá vestido. E chorei. Chorei dias e noites. Chorei, chorei... Era um Menino, não era um Homem. Não era, na verdade, absolutamente NADA!

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